
Assim como a humanidade, a Língua Portuguesa vem evoluindo ao longo dos tempos. Nunca antes os povos estiveram tão interligados e a linguagem com tamanha vulnerabilidade. As variações lingüísticas são características notáveis e significativas que podem ser muitas vezes claramente percebidas, mudando de acordo com a região em que se é falada, a época, a classe social, e a quem as palavras são dirigidas.
O português é a quinta língua mais falada do mundo, com mais de 365 mil unidades lexicais. A partir do corrente ano, a língua portuguesa foi padronizada para todos os países que a tem como língua oficial. Uma tarefa difícil sabendo que a última mudança feita foi na década de 70 e muitos escritores, até mesmo professores ainda não acostumaram com as modificações. A norma padrão do português deve ser usada como base, mas não é necessário tornar-se escravo das palavras. Falar bem é saber utilizar as palavras da melhor maneira ajustando-as a situação em que serão lançadas.
Os acentos de diferenciação não mais serão utilizados, para (verbo) será igual a para (preposição). Nem se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus decorrentes, ficando correta a grafia “creem”, “deem”, “leem” e “veem”.
A trema também foi extinta. Exemplos? QUinqUênio, tranqUilo, seqUência. E suas respectiva pronuncias: kinkenio, kinkenio, sekencia.
Haverá eliminação dos acentos em ditongos abertos “ei” e “oi”, como em herói, jibóia, assembléia....idEia? Tenham piedade!
Estão abolidos então os acentos, as tremas, e outras regras gramaticais e ortográficas do português. A Língua Portuguesa nunca foi fácil, mas nem por isso precisa ser subjugada a tal ponto. Daqui algum tempo nossos teclados terão menos teclas, nossas frases menos entonação, nossas palavras menos sentido
Particularmente vejo como um assassinato às próprias origens. E me desespero em ver que muitos estão adorando a idéia de não precisar ‘aprender’ a ortografia correta em seus detalhes.
Não é necessário usar uma gramática em uma conversa entre amigos, mas sim conhecer a própria língua e saber fazer uso dela. A língua mãe é essencial, e não entendo aqueles que dizem não gostar. Sempre amei a gravidade austera do latim e a aparente liberdade em jogar com palavras. Deixo aqui meus sentimentos aos amantes do bom e velho Português, e que se preserve, sutil e delicada, a última flor do Lácio.
Helena Fontana